As minhas ferramentas

Em 26 de Dezembro de 2013



Falar sobre ferramentas é algo simples e ao mesmo tempo complicado, porque na prática envolve muito o gosto de cada um. Eu certamente fiz muitas experiências e mods nesses últimos quatro anos, e grande parte envolveram o meu, agora grande, acervo de ferramentas. Alguns vão dizer que muitas são "desnecessárias", mas por um motivo ou outro adquiri e agora acabo encontrando algum uso para elas.
Não pretendo aqui dar uma relação de ferramentas ideais que absolutamente todos precisam ter, mas quero dar uma noção das coisas que uso baseado nas minhas experiências.

AS OBRIGATÓRIAS

Bem, você pode não ter todas as ferramentas que listarei no artigo, mas pelo menos essa seção são as de uso diário.

Ferro de solda - Eu uso uma pequena estação Toyo, muito barata. Gosto dessa porque é forte, 55 watts e apesar do controle de temperatura, uso sempre no máximo. Um ferro de solda bom deve custar metade do preço e funciona igual, porém essa pequena estação já tem o suporte do soldador, o que facilita muito a vida na bancada. Para quem está começando ou mesmo o hobbysta "médio", não tem necessidade de gastar rios de dinheiro com estações ou ferros de marcas famosas.


Pontas para ferro de solda e resistências extras - Ter ponteiras diferentes ajuda muito em determinados tipos de solda. Por exemplo uso muito a ponta "chata" para soldar CIs SMD (montagem de superfície), enquanto as pontas "redondas" ficam mais para o dia a dia. Pontas costumam ser baratas, então vale a pena manter pelo menos uma de cada extra guardadas, porque principalmente no caso da chata, ela só fica realmente boa no primeiro mês, levando em conta o uso frequente. Depois disso ela vai ficando com "dentes" e acaba tornando o processo de solda mais difícil. Manter uma resistência extra também é uma boa idéia, porque nunca se sabe quando vamos ter uma emergência num domingo ou feriado.


Solda - Não adianta ter um bom ferro de solda sem o material para o trabalho, então eu geralmente mantenho dois rolos à mão, uma grossa (cerca de 1 mm) e outra fina (0.5 mm) e dependendo do uso eu puxo uma ou outra. A grossa fica mais para áreas grandes de solda e terra de conectores e a fina para todo o resto. Não sei se por aqui já se vê com frequência, mas usei uma vez a solda sem chumbo e não gostei. O ponto dela de fusão é um pouco diferente do que eu já estava acostumado, então minha recomendação é que se fique no básico mesmo, que além de tudo, é mais barato.


Sugador de Solda - Eu já comentei algumas vezes e continuo recomendando o chinês "gigante". Recentemente achei um da Toyo que é exatamente igual, como pode ser visto na foto, que aparecem ao lado de uma caneta para efeitos de comparação de tamanho. Esses sugadores tem um curso grande do êmbolo, logo geram mais vácuo na hora de sugar. Para melhorar eu coloco a "camisinha de sugador", uma ponta de silicone resistente ao calor que não só melhora a vedação para a sucção como também protege a ponta do sugador.


Multímetro Digital - Obrigatório em qualquer bancada nos dias de hoje. Inclusive para os iniciantes é uma grande ajuda, porque faz as medições necessárias e com a resposta rapidamente no painel, sem precisar de "interpretações" como os antigos multímetros. Existem hoje milhares de equipamentos diferentes com N funções embutidas, desde os chineses que custam um trocado, até os "Scopemeters" de milhares de Reais, então basta escolher um que caiba no seu orçamento. Eu particularmente uso um Fluke e tiro o chapéu para a qualidade da marca. Já estou no meu segundo e só troquei porque peguei outro com mais funções. Apesar de alguns modelos terem custo muito acima do que a maioria gostaria de pagar num multímetro, recomendo o modelo 15B que é um básico ÓTIMO e concorre na mesma faixa de preço de vários outros fabricantes conhecidos.



AS ESSENCIAIS

Não são obrigatórias, mas essas ferramentas facilitam o trabalho, então estou listando nessa outra categoria.

Iluminação - Não adianta ter tudo a sua disposição se você não consegue ver o que está fazendo. Minha bancada fica debaixo de uma janela para aproveitar a luz do dia, mas mesmo assim uso essa luminária móvel com lente que tem uma luz muito boa.


Pinças - São sempre úteis para chegar onde os dedos não alcançam ou mesmo para executar uma solda um pouco mais complicada. Não é preciso ter todas as da foto, mas é bom ter pelo menos duas de formatos diferentes, de acordo com o tipo de trabalho. Essas com trava foram compradas em lojas de eletrônica com o nome de "terceira mão", enquanto que as de aço vieram de lojas de material cirúrgico/odontológico. Invista numa boa pinça que provavelmente irá durar a vida toda.


Suporte com garras - Sempre ajudam quando você não tem uma outra pessoa por perto para posicionar um fio ou segurar uma placa. Essas garras são baratas e auxiliam demais nas tarefas do dia a dia na bancada.


Pasta de Solda ou Fluxo de Solda - Facilitam muito durante a soldagem de fios ou circuitos integrados SMD. Certa vez li que esses fluxos são feitos com base de breu e álcool, mas não tenho certeza. O fato é que a solda fica bonita e rápida de ser feita, bastando apenas dar uma limpeza ao final para tirar o excesso de pasta que derrete durante a soldagem. Costumam ser vendidas em potes grandes, mas eu separo um pouco de cada vez em potinhos pequenos para facilitar o acesso na bancada.


Álcool Isopropílico - Falando em limpeza, nada melhor do que o bom e velho álcool. Na farmácia da esquina costuma ter apenas o álcool "comum", hidratado. O isopropílico, que não tem água, geralmente é vendido em lojas de eletrônica ou casas de produtos químicos. Após a soldagem eu tenho o costume de dar um polimento final na placa com álcool e uma escova dentes, retirando o excesso de fluxo e respingos de solda.


Borracha para nanquim e lixas de unha - Antes de soldar, mesmo com o fluxo, é imprescindível que os terminais e contatos estejam limpos e uma pequena lixa de unha ajuda muito nessa tarefa. Basta passar de leve e aquele resistor que estava esquecido no fundo do armário pode ser soldado rapidamente. Já a borracha pode limpar contatos de placas com muita eficiência e sem agredir as trilhas, como a lixa comum faria.


Fontes - Ter uma fonte de boa amperagem na bancada é importante, principalmente na hora de ligar aquele circuito que você acabou de montar ou mesmo testar uma etapa de um equipamento. O ideal é ter uma fonte regulável, mas são caras, então o jeito é apelar para uma "de PC". Essas se acha com facilidade, são baratas e tem as voltagens mais usadas diretamente disponíveis nas suas várias saídas.


Sucatas e afins - Ideal para a retirada de peças, principalmente nas emergências. Nunca se sabe quando iremos precisar de um resistor de valor "estranho" ou de um capacitor que zerou no seu estoque. Eu guardo sempre as placas de equipamentos que desmonto e hoje já tenho uma pilha que guardo e reviro em busca de algo. Se sua mãe vai jogar fora aquele radinho de pilha ou TV antiga, desmonte, retire as placas e guarde, porque em algum momento você irá precisar.



AS FRESCURAS

Essas são aquelas ferramentas que você não precisaria, mas depois que usa uma vez não larga mais.

Alavanca - Não imagino o nome certo dessa ferramenta, que veio num kit chinês com outras coisas curiosas. De um lado ela tem uma pequena inclinação que acho muito útil para retirar CIs soquetados e de outro uma fresta, que uso para dobrar terminais de componentes. A dobra fica bem "profissional" e a montagem da placa muito bonita.


Pinça à vácuo - Vi a foto e como custava um trocado, comprei num site chines. Ela gera uma pequena sucção, segurando a peça por alguns segundos. Eu uso para pegar os CIs SMD para posicioná-los na placa, antes da solda.


Estação de ar quente - Muito boa no processo de dessolda, principalmente se você está retirando o componente de uma placa que não vai mais ser aproveitada. Digo, basta esquentar uma grande área da placa e retirar o componente, mas isso geralmente leva a criar bolhas e empenos na placa. Tendo cuidado, claro, é possível até mesmo ser usada em consertos, mas eu ainda prefiro nesse caso a usar o bom e velho ferro de solda e sugador. Apesar de poder ser usada também para soldar, nem sempre dá pra fazer, mas utilizo às vezes para trocas de chip SMD.


Organizadores e Gaveteiros - Já cansou de ficar procurando por uma peça que você jurava que estava "naquela caixa"? Pois é, manter o estoque organizado não é uma tarefa nada fácil e somente agora é que estou colocando as coisas em ordem e aprendendo a não comprar itens repetidos simplesmente porque eu não achava nas minhas caixas de peças. Os organizadores são baratos e no tamanho ideal para as pequenas peças que geralmente habitam nossas bancadas. Nesta semana estou experimentando gaveteiros na parede e por enquanto estão me agradando, principalmente porque posso retirar apenas uma das gavetas e deixá-la na bancada durante uma montagem.


Microscópio USB - Esse é frescura pura, mas acho ótimo para revisar soldas de SMDs que geralmente tem terminais minúsculos. Facilmente encontrável em sites chineses de bugingangas e tem um bom preço.


Lentes - Coloquei como "frescura" porque eu (ainda) enxergo bem, para outros entraria na seção "obrigatório". Esse óculos-lente em particular tem iluminação própria nas duas laterais, com pilhas, o que facilita bastante também.


Protoboard - Nada melhor para testar aquele circuitozinho do que um protoboard. Eu peguei logo o maior que tinha na loja para não faltar espaço e não me arrependo nem um pouco. Melhor sobrar do que faltar, certo? Bem, frescuras à parte, o teste de um circuito fica bem dinâmico, podendo mudar valores e componentes rapidamente, sem solda.



FERRAMENTAL "PESADO"

São aquelas usadas para trabalhos que não envolvem somente eletrônica.

Chaves, alicates e afins - Bem, pra se fazer um mod ou conserto você precisa pelo menos ter como abrir o equipamento, então uma boa variedade de chaves é necessário para que pelo menos possamos começar a realizar um trabalho.


Pistola de cola quente - Sinônimo de gambiarra, mas às vezes é muito mais simples uma gota de cola do que dar mil voltas para prender um fio no lugar. O resultado sempre é meio feio na prática, mas sabendo usar, é uma excelente ferramenta.


Micro-retífica - Mão na roda e pode ser utilizada de várias maneiras na bancada. Eu geralmente uso para recortar placas e janelas para mods ou lixar para dar acabamento, mas lembre-se de usar óculos (E.P.I.) enquanto estiver com esse tipo de ferramenta.


Furadeira e/ou parafusadeira - Facilitam demais a montagem "mecânica" e chegam a ser essenciais, dependendo do trabalho. O ideal é usar uma sem fio pra não ter a limitação da tomada, mas dependo do trabalho só mesmo a elétrica, tradicional. Geralmente vem com várias ponteiras de chaves diferentes no "pacote" e o ideal ainda é comprar uma caixinha de brocas de boa qualidade.


Palhetas de guitarra - Já tentou abrir um controle remoto? Quase sempre são de encaixe... Meter chave de fenda e deixar o plástico todo "comido"? Nada disso... Ai entram as palhetas, que são de plástico e não marcam os equipamentos, mesmo onde é necessário o "uso da força". Elas são vendidas em várias espessuras e são muito baratas, logo é bom ter várias diferentes em casa. Cartões de crédito antigos também podem ser usados como alavanca e conseguem milagres na abertura de travas plásticas que cada vez são mais comuns hoje em dia.


Paquímetro - Instrumento para medir com precisão. Eu uso principalmente quando estou desenhando placas de circuito impresso e aquele componente novo ainda não tem na biblioteca e precisa ser feito do zero, mas também é útil para não deixar passar do ponto quando estou abrindo janelas para mods. Acredite, 1 mm de erro é um baita buraco que precisa ser fechado. O paquímetro tradicional é meio chato de ser lido, então para facilitar uma boa idéia e pegar um digital que tem uma precisão bem boa. Eu particularmente uso mais o com dial, aquele "relógio" que facilita a leitura.



AS PROFISSIONAIS

Esses equipamentos são pra quem quer realmente se dedicar à profissão. Apesar de eu não trabalhar realmente com eletrônica, foram surgindo as oportunidades e acabei adquirindo.

Medidor de ESR - Mede a resistência em série dos capacitores. Não utilizo-o com muita frequência, mas já me salvou uma vez durante um conserto de fonte de um equipamento clássico, onde absolutamente tudo parecia certo até eu encontrar o capacitor com problema de ESR. Não vou entrar em detalhes sobre o assunto e para saber mais recomendo o artigo do Luciano Sturaro que explica a ESR e dá umas dicas para contruir seu próprio equipamento.


Multimetro analógico - Apesar da versão digital resolver a maioria das medições, o multímetro "de agulha" ainda é útil para alguns casos, como por exemplo medir fuga de diodos. Claro, nada impede de ser usado inclusive no dia a dia, como os técnicos da geração passada sempre fizeram, só é mais chatinho de ser lido.


Testador de CI - Até eu ter um desses, o que eu simplesmente fazia era trocar o CI por um novo e ver se o problema tinha sido resolvido. Já fiz muitos consertos assim, mas existe o inconveniente de precisar de peças novas em estoque para os testes. O testador é muito útil e diz rapidamente se o CI está bom ou ruim. Claro, seria impossível um único equipamento testar todas as peças existentes, logo a maioria se limita aos CIs de lógica que são muito abundantes nos equipamentos, mesmo nos dias de hoje.


Gravadores universais de CI - Os gravadores "universais" são chamados assim pela quantidade de CIs que eles podem programar, mas na verdade mesmo a maioria só grava EPROMs, EEPROMs e alguns microcontroladores mais antigos. O software costuma ter um módulo de testes de CI de lógica, logo também podem ser usados nessa tarefa, apesar do inconveniente de ter que ligar o PC do lado, ao contrário do equipamento anterior.


Gravadores específicos - Conforme os projetos foram aparecendo, me vi na necessidade de ter que comprar e montar gravadores específicos para cada caso e hoje tenho pra todos os CIs que costumo trabalhar. Lembro no entanto de ter lido sobre um programador, o BeeProg que tem updates regulares de software e com isso permite gravar qualquer CI, o que substituiria na pratica todos os meus gravadores. Eu nunca tive oportunidade de comprá-lo devido ao alto custo, logo não sei dizer com absoluta certeza se isso é verdade, mas posso dizer que ainda estou satisfeito com os meus.


Apagador de Eprom com Luz Ultravioleta - As eproms quase sempre saem da loja "limpas", prontas para gravar, mas e se por acaso você quer atualizar um firmware ou gravou um arquivo errado? Os CIs que tem aquela "janelinha" necessitam de luz ultravioleta durante alguns minutos para serem apagadas e inclusive é muito simples montar um pequeno apagador numa caixinha de madeira com uma lâmpada germicida e um reator. Porém, cuidado redobrado para não olhar para a lâmpada enquanto ela estiver ligada, porque a radiação UV prejudica a retina.


Osciloscópio - É caro, complicado e difícil de entender, pelo menos na versão analógica. Após essa apresentação desagradável, eu tento desmistificar: na prática ele cria um gráfico, onde na horizontal temos a linha do tempo e as variações na horizontal seriam as diferentes tensões. Com isso, baseado em padrões e formas de onda conhecidos é possivel ir examinando as diferentes partes de um circuito atrás de problemas. Na versão analógica, o monitor de CRT tem uma grade padrão, divididos em pequenos quadrados e de acordo com os valores selecionados nos botões eles são lidos de acordo. Por exemplo, um quadradinho de altura pode valer 1V, 2.5V, etc se esses forem selecionados nos botões, o mesmo valendo para o tempo, onde um quadradinho na horizontal pode valer 1 ms, 10ms e por ai vai. Já na versão digital tudo é bem mais simples e costuma ter escrito na tela, sem nenhum tipo de interpretação ou cálculo, bastando ligar as ponteiras e ler o resultado do teste.


Placas de desenvolvimento - Eletrônica usando "componente discretos" é legal, mas por que se matar pra fazer um circuitinho qualquer se você consegue resolver com apenas uma peça? Bem, isso nem sempre é possível, mas as placas de desenvolvimento são simplesmente fantásticas do ponto de vista eletrônico. Curiosamente, quando pegamos uma placa dessas e ligamos simplesmente, elas não costumam fazer absolutamente NADA, ou no máximo apresentam alguma mensagem no display. Cabe ao usuário a terefa de programá-la e dizer o que os componentes da placa irão fazer. Existem muitas versões diferentes de placas e vários fabricantes, então preste atenção e pesquise antes de decidir a compra. Para quem está querendo começar agora e não sabe por onde, de uma olhada no Arduino, que é barato e tem muita documentação disponível.




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